Economia circular: o caminho para um mundo mais vivo

Conceito de Economia Circular — Eco Circuito

Para falarmos de Economia Circular, primeiro precisamos lembrar que a atividade econômica no decorrer dos séculos ocasionou um ciclo de destruição da natureza. O meio ambiente está próximo do colapso — crises climáticas, poluição tóxica, contaminação de rios, mares, alimentos e pessoas. 

Temos acompanhado, nos últimos anos, notícias alarmantes sobre os impactos que nós, seres humanos, causamos à natureza — e, consequentemente, a nós mesmos. 

A cada ano, chegamos mais cedo ao Dia de Sobrecarga da Terra, data em que passamos a consumir mais recursos do que o planeta é capaz de regenerar. 

As perspectivas para os próximos anos deixam o problema ainda maior. O Banco Mundial projeta que, até 2050, teremos 1,3 bilhão a mais de habitantes no planeta. Com isso, deve aumentar o volume de lixo produzido em 70%, chegando a 3,5 bilhões de toneladas — hoje, são cerca de 2 bilhões de toneladas. A estimativa é que, com isso, sejam necessárias duas Terras para suportar nosso consumo – o que, claramente, não temos.

No entanto, é sim possível reverter esse ciclo evoluindo para um modelo circular de reaproveitamento de recursos. Um modelo que substitua o formato linear de extração, produção, consumo e descarte.

Precisamos agir nessa direção se quisermos garantir um mundo mais vivo para as próximas gerações. 

É aí que o tema da Economia Circular entra em campo. Sobre ele vamos conversar neste artigo. 

Continue lendo para entender o que é Economia Circular e como ela pode ajudar a equilibrar o meio ambiente e a vida de um modo geral no planeta!

O conceito de Economia Circular

A Ellen MacArthur Foundation, instituição sem fins lucrativos que lidera mundialmente o desenvolvimento e a disseminação da Economia Circular, oferece a seguinte definição:

“O modelo econômico ‘extrair, transformar, descartar’ da atualidade está atingindo seus limites físicos. A economia circular é uma alternativa atraente que busca redefinir a noção de crescimento, com foco em benefícios para toda a sociedade. Isto envolve dissociar a atividade econômica do consumo de recursos finitos, e eliminar resíduos do sistema por princípio. Apoiada por uma transição para fontes de energia renovável, o modelo circular constrói capital econômico, natural e social.”

O principal elemento da economia circular, que garante sua aplicabilidade ao contexto econômico atual (e ao dia a dia das empresas) é o reconhecimento da importância do funcionamento da economia em qualquer escala. De pequenas a grandes empresas; para indivíduos e organizações; em escala local ou global.

A proposta não é de apenas reduzir os danos causados pela economia linear. Mas transformar sistematicamente a forma como produzimos, consumimos e descartamos

Trata-se de uma evolução do que temos hoje. No modelo linear, as atividades econômicas têm como foco a geração de riqueza. No circular, devem ser capazes de fazer isso e ainda contribuir para a saúde, a sustentabilidade e a resiliência do próprio sistema.

O vídeo “Re-Thinking Progress”, produzido pela Ellen MacArthur Foundation, aborda a mudança de perspectiva necessária que é necessária para transformarmos, de fato, a economia: de linear para circular; de finita para sustentavel. Confira a seguir: 

Principais diferenças entre Economia Linear e Economia Circular

Na tabela a seguir, confira os três pontos nos quais as economias linear e circular se diferenciam substancialmente. 

Geração de resíduosECONOMIA LINEARECONOMIA CIRCULAR
Geração de lixo em todas as etapas da cadeia produtiva.Tudo volta para a cadeia, de forma que possa ser reutilizado, reprocessado ou, em última instância, reciclado.
Utilização de recursosFoco em quantidade e escalabilidade, baseada em técnicas de extração e uso de recursos que não favorecem seu retorno para o ciclo produtivo. Tudo vira lixo.Foco em qualidade no uso do recurso e prolongamento de sua vida útil, através de redução, reutilização e reciclagem. Não existe geração de lixo, mas de resíduos com valor econômico/monetário.
Compensação de externalidades negativasExternalidades consistem em desdobramentos oriundos da produção, do consumo e do descarte. Exemplos: crise do clima, problemas de saúde decorrentes de lixo contaminado e a iminente escassez de recursos naturais nos próximos anos. Não existe preocupação com os meios para chegar ao produto final e os impactos (as externalidades) não são considerados no processo produtivo.As externalidades negativas decorrentes do processo produtivo são transformadas em custos, que integram o preço e devem ser compensados.

2 ciclos que compõem a Economia Circular

Na Economia Circular, as atividades de um organização se dividem em dois tipos de ciclo: biológico ou tecnológico. 

A compreensão de suas diferenças e da forma mais indicada para lidar com cada caso é fundamental para o planejamento das mudanças necessárias para a adequação do sistema produtivo ao modelo linear.

Entenda os dois ciclos detalhadamente.

1. Ciclo biológico

Ocorre quando o processo utiliza, em qualquer de suas etapas, recursos de origem biológica, oriundos de fontes renováveis

Esses recursos retornam ao ciclo produtivo através de métodos de processamento naturais, como a biodigestão e a compostagem.

O papel que os ciclos biológicos desempenham no processo produtivo é, literalmente, vital. 

Sua função é regenerar sistemas vivos como o solo, a água e outras fontes de geração de energia limpa, de forma que possam continuar produzindo recursos com qualidade.

1. Ciclo tecnológico

Os ciclos tecnológicos são os que envolvem recursos finitos, que não podem ser devolvidos à natureza por terem sido utilizados ou transformados ao longo do processo. 

Envolvem desde a extração do recurso até o descarte do produto final, que deve ser recuperado por meio de técnicas como reuso, reparo, remanufatura e, em último caso, reciclagem.

O desafio do engajamento na Economia Circular

Para chegar ao objetivo de redução a zero da geração de resíduos no ciclo produtivo, é um diferencial assegurar que as pessoas envolvidas nos diversos processos estejam engajadas com o conceito de Economia Circular. Elas devem estar conscientes de como devem atuar no dia a dia da gestão de resíduos.

Realidade brasileira atual

Na prática, a questão do engajamento representa um dos maiores desafios para evoluirmos rumo à Economia Circular no Brasil. 

Segundo dados da Abrelpe, o brasileiro entende a importância de temas como sustentabilidade, reciclagem e preservação da natureza (98%). No entanto, ainda não partiu para a ação: apenas 39% dos lares fazem separação de resíduos.

Responsabilidade das empresas

As empresas, no contexto da Economia Circular, enfrentam um desafio ainda maior. Assegurar o treinamento das equipes, de forma a garantir qualidade nos processos é fundamental, mas não é suficiente. 

Também faz parte do papel da iniciativa privada contribuir para o aumento da conscientização — e da ação — entre a população em geral.

A questão vai além da função social da empresa. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) determina que cabe às empresas a logística reversa de seus produtos. Para isso, dependem da coleta seletiva, que enfrenta uma série de obstáculos no Brasil. Destacamos dois, que deixam claro o estágio distante em que estamos do cenário ideal:

•    menos de 25% dos município no país contam com serviço de coleta seletiva;

•    66% da população sabe pouco ou nada sobre separação de resíduos e reciclagem.

A separação correta dos resíduos em diferentes frações e o armazenamento de cada tipo é um desafio anterior à coleta, com alto potencial de comprometer os resultados ao longo do processo. 

Uma situação comum é o descarte de embalagens com restos de comida: ambos poderiam ser devolvidos à cadeia produtiva, se tratados em ciclos – biológico e tecnológico — apartados. 

Entretanto, uma vez que são descartados juntos, eliminam a possibilidade de reaproveitamento do resíduo orgânico, enquanto o resíduo plástico corre risco de ter seu potencial de reciclagem esgotado. Isso ocorre, por exemplo, porque o alimento apodrece e compromete o recipiente e/ou toda a carga onde foi depositado.

Por que transformar a Economia Circular em realidade na sua empresa

Transformar a Economia Circular em realidade no dia a dia é um processo que requer tempo, investimento, uso estratégico de tecnologia e conhecimento aprofundado. 

São investimentos sobre o negócio, os resíduos gerados na empresa, o conceito de Economia Circular em si e as ferramentas disponíveis para solucionar os diferentes problemas no decorrer do processo.

Por outro lado, percorrer toda a jornada para colocar em prática um modelo circular tem potencial de gerar um retorno positivo que extrapola os benefícios ambientais e sociais. A aplicação do conceito na operação também fomenta a economia e os negócios, trazendo benefícios diretos para os resultados das empresas. Quer aprofundar seus conhecimentos em Economia Circular e as etapas necessárias para transformá-la em realidade nas empresas? Continue lendo sobre o tema, neste artigo em que detalhamos as principais características de um processo circular, as ferramentas que podem contribuir para sua otimização e as etapas para colocar tudo isso em prática!

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